Em um dos meus lares, era como eu me sentia ali, encontrei com um sujeito que parecia não parecia feliz com sua condição, algo comum por aqui, todo mundo parecia indisposto a ir pra frente, o que eu sempre achei um absurdo. Sorri pro recém chegado, notando seus ferimentos ainda semi-abertos.

O espirito é a essência da pessoa e não importa o que façamos, se a pessoa se sente presa aos seus cortes, a sua humanidade, a vida e tudo que isso significa, nosso esforço era em vão. Nós todos sabíamos disso, mas ainda assim limpávamos estas e tentávamos curar toda vez que chegavam. Eu peguei em sua mão, analisando o ferimento. Era pior do que eu esperava.

- Muitos planos deixados pra trás na terra? – Perguntei sinceramente, apesar de já sentir a resposta. Um dom meu, exclusivo, era sentir as paixões; Estas nem sempre eram por outras pessoas, humanos se apaixonavam por muita coisa, inclusive o material.

A paixão a fama não era estranha pra mim, mas ela geralmente era mais impura, fruto de avareza, ambição vil e não era o caso de Brandon Eli. Senti misericórdia do mesmo e o chamei para um passeio. – Me siga, Brandon Eli.

O levei até o lago, nele podíamos ver a terra, a vida que eles deixaram pra trás e que os anjos muita vezes invejavam, mas de maneira boa, dando valor e não querendo tomar pra si. Eu não era diferente, eu sabia como a vida humana deveria ser interessante, já que havia sentido tanta paixão através séculos tocando neles.

Assistimos um garoto humano chorar ao ouvir uma noticia da mãe, correndo pro seu quarto. Eu podia sentir a paixão deles quando assistia ao lago. Ele o tinha por Brandon, mas eu não revelaria isso ao recém chegado, isso poderia prender ele mais ainda a sua vida na terra. Eu não sabia porque isso tinha acontecido,  raramente o lago revelava algo do tipo, a dor dos que ficaram não era algo pra se ter na consciência do espirito. – Eu e ele sentimos muito. Ele por você ter vindo, eu por você não desejar isso.

Coloquei a mão em seu ombro, se eu fosse humano, eu provavelmente regularia de altura com ele, mas arcanjos são maiores em todas proporções, além de termos nossas asas, semitransparentes atrás de nós. Eu ia sorrir e guia-lo até ver mais coisas, até ele se movimentar bruscamente e escapar, minhas asas abriram no reflexo e eu vi a agua do lago se espalhar. Em automático já me penalizava só de pensar: Maldição.